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Taxa de juros – Banqueiro Central

7 de janeiro de 2021 admin 0 Comments

Estamos vivenciando um momento histórico na economia brasileira: SELIC em 2% ao ano, juros baixos e inflação na meta. E, sendo reconhecido pela excelente atuação, Roberto Campos Neto, presidente do Bacen (BC), foi premiado pelo jornal The Banker como o melhor Banco Central Global de 2020. As políticas monetárias adotadas na gestão surpreenderam. De acordo com a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB brasileiro teria contração de 9,1% no ano de 2020, entretanto, analistas acreditam no fechamento abaixo de 4,5%. Isso certamente é uma conquista, mas há condições para mantê-la.

Engana-se quem acredita que as políticas do BC são feitas para moradores de Hogwarts e que estão longe do dia a dia. A atuação do BC em situações adversas é indispensável, pois uma medida errada pode acarretar em milhões de desempregados. Entre muitas medidas técnicas, a essência foi sempre a mesma: estimular e facilitar a circulação do dinheiro. Adotando políticas monetárias para aquecer o ciclo econômico, como, por exemplo: reduzir a taxa de juros, usar imóvel como garantia em mais de um empréstimo, reduzir o depósito compulsório, atuar no câmbio. 

A autarquia respondeu rapidamente aos efeitos da crise causada pela pandemia da COVID-19. A imagem retirada do site do Banco Central, ilustra de forma didática a necessidade nas ações do BC:

Sob uma perspectiva análoga à atuação do BC, lembramos do jogo Banco Imobiliário.  Não basta ter as propriedades, tem que ter dinheiro para pagar o aluguel dos hotéis do seu amigo; caso contrário, você quebra.  Durante a crise é importante ter o ativo mais líquido – o  dinheiro – assim conseguimos contornar a situação de forma rápida. 

Em 2020, essa foi uma política adotada por todos os bancos centrais para garantir um sistema financeiro líquido e estável. Historicamente no Brasil, devido a coleção de incertezas, sempre tivemos altas taxas de juros. Contudo, o que falta para manter baixas taxas de juros por mais tempo está na última ata de reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM): Reformas. Em especial as Reformas e PECs que auxiliarão a reduzir a dívida pública futura e afastar incertezas fiscais. E, infelizmente, essas agendas estão com as discussões paradas no Congresso Nacional. Principalmente, duas essenciais para a retomada econômica neste ano: reformas administrativa e tributária.

A Reforma Administrativa é capaz de reduzir o gasto do país em R$300 bi nos próximos 10 anos. Atualmente o Governo é o maior RH do Brasil. A adequação diminuiria os gastos iniciais com os servidores e, futuramente, das aposentadorias. Mas mexer nesse vespeiro é sempre impopular. Outra reforma imprescindível é a tributária que pode melhorar o ambiente de negócios. No Brasil uma empresa gasta 1.500 horas/ano para estar em dia com o fisco, na Colômbia são 256 horas e na burocrática Franca, 139. Temos uma carga tributária similar ao Canadá, mas com retorno longe do esperado para o contribuinte.

Sobretudo, não podemos esquecer da agenda microeconômica, as ‘pequenas grandes reformas’ que, silenciosamente, auxiliam a melhorar o nó legislativo e fiscal do país. Essas, normalmente, são mais fáceis de atualizar pois são mudanças infraconstitucionais. 

Novamente, juros baixos são desejáveis para qualquer economia. Todos se beneficiam. Mas há um custo para ter juro baixo: a casa tem que estar em ordem. Começamos bem com a Reforma Administrativa. Depois paramos. Se não acordar, a baixa SELIC será apenas uma lembrança distante.