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Por que um banqueiro prefere criar uma universidade nível MIT do que doar R$ 120 milhões para USP?

28 de setembro de 2021 admin 0 Comments

André Esteves, um dos donos do BTG, anunciou em abril uma doação para criar uma universidade de tecnologia e que agora anuncia sua primeira turma!

A nova universidade tem o objetivo de ser o “MIT Brasileiro” e vai abrir suas primeiras turmas em fevereiro de 2022, nos bacharelados em: Eng. da Computação, Eng. de Software, Ciência da Computação e Sistemas de Informação.

E porque não investir na melhor universidade brasileira, até então?

Em primeiro lugar, a USP gasta hoje 89% do seu orçamento em salários. A lei sugere 75%. Em qualquer universidade top 50 do mundo, esse número não chega a 70%.

Os R$120 milhões doados sumiriam custeando salários… Seriam sugados mais rápido do que aspirador de pó.

Ao doar R$120 milhões à USP, André Esteves (ou qualquer outro doador) não poderia opinar onde esse dinheiro seria alocado.

Dependeria da sabedoria dos que controlam o Conselho Universitário… Mas sabe para onde os sindicatos direcionariam a grana? Para os salários.

Importante lembrar que o tribunal de contas de SP reprovou a avaliação das contas da USP em 2016. E adivinha só? Por conta dos salários acima do limite.

Desde então, há 3 anos, a USP criou uma controladoria para cuidar dos R$5,7 bilhões de repasses.

Além disso, a USP não gera receita: mais de 95% do orçamento dela vem do ICMS, imposto sob circulação de mercadorias e serviços.

Por ser um imposto de consumo, pesa mais sobre as famílias pobres de SP. 

E em anos de crise, como 2020, o Governo precisa tapar o buraco das contas.

Ou seja, o estado é o pai rico que garante a mesada todos os meses. 

E como o dinheiro é certo, não há por que: correr atrás de doações, fazer concessões de espaços nos campi, cobrar mensalidade para os que PODEM pagar ou fazer parcerias em pesquisas com o setor privado.

Isso sem falar no desencontro de prioridades que acontece entre a USP e a sociedade.

Em 2021, as prioridades da universidade são as mesmas de décadas atrás.

A sociedade muda constantemente, mas a USP não. Querem manter sua “autonomia universitária” com os nossos impostos. 

Para receber grandes doações, a USP precisariam priorizar também as demandas da ciência e da sociedade.

Numa universidade moderna, os departamentos que trabalham junto com o Instituto Butantan, por exemplo, teriam mais dinheiro disponível em meio a pandemia.

Pra não falar da dificuldade e burocracia que é para doar um alfinete para órgãos públicos. E esse é só o topo do iceberg.

Se as universidades brasileiras não se modernizarem, administrativa e operacionalmente, ficarão (ainda mais) ultrapassadas.

Será que devemos começar do zero?