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O que os dados mostram: já passou da hora de reabrir as escolas!

14 de setembro de 2020 admin 0 Comments

Os brasileiros já estão há 5 meses sem aulas. Com exceção do Amazonas, que optou por reabrir suas escolas recentemente, crianças e adolescentes de todo país seguem sem poder estudar. Mesmo liberando todo o comércio, os governos e prefeituras ainda barram a reabertura dos colégios, alegando que isso aumentaria o risco de contágio. 

É preciso olhar para fora: o que mostram os dados de países que já voltaram às aulas? Nesse quesito, o Brasil está remando contra a corrente. Enquanto os países de todo o mundo abriram escolas primeiro, aqui demos preferência a shoppings, lojas e academias. As prioridades parecem não fazer sentido.

O que os dados sobre os países que reabriram as escolas nos revelam?

Estudos sobre o tema começam a surgir agora, mas há alguns consensos se formando. O primeiro é que o vírus é menos agressivo e menos transmissível a crianças.

Um estudo da Center for Disease Control and Prevention (CDC) reportou que as crianças são 22% da população, mas representam menos de 2% dos casos de coronavírus. Ainda assim, mais de 60% dos casos foram assintomáticos. Outra pesquisa da CDC também mostrou que a mortalidade da gripe comum nelas é 4,5 vezes maior que a da Covid-19.

Dois estudos de caso também mostraram a baixa infectividade dos alunos que frequentaram o ambiente escolar. O primeiro, no Reino Unido, registrou um número decrescente de óbitos mesmo com a abertura de turmas do Ensino Fundamental. Isso vem se confirmando desde o dia 1º/06, tanto que a liberação das demais salas já está acontecendo gradualmente.

O segundo, em Nova Gales do Sul, o estado mais populoso da Austrália, também apontou na mesma direção. Embora 18 alunos e funcionários tenham contraído o vírus, apenas dois casos foram identificados como secundários, ou seja, que ocorreram no próprio ambiente escolar. Isso, sabendo que tiveram 863 contatos próximos na escola!

Além disso, vários países retornaram às aulas em maio ou junho. França, Alemanha, Bélgica, Vietnã e Uruguai ficaram menos de 100 dias com escolas fechadas. Em comparação, a rede de educação do estado de São Paulo já está a quase 200 dias parada.

As consequências para a saúde do fechamento das escolas

O segundo consenso se formando por essas pesquisas é que o fechamento das escolas provoca efeitos negativos no curto e no longo prazo. Alguns dos efeitos imediatos se relacionam diretamente à saúde das crianças.

Segundo uma pesquisa publicada na revista médica The Lancet, 83% daquelas com condições psiquiátricas relataram piora dos sintomas durante a quarentena nos Estados Unidos. 26% também relataram que não conseguiram acesso a alguma forma de atendimento.

Outro estudo, publicado no The New England Journal of Medicine, analisou a alimentação das crianças durante a pandemia. Ele ressaltou que até dois terços das suas necessidades nutricionais são supridas pelas escolas, o que havia sido interrompido.

O fechamento das escolas, portanto, afetou 35 milhões de crianças por dia, que dependiam das merendas escolares. E até curtos períodos de má-nutrição podem causar danos de longo prazo no desenvolvimento físico e psicológico dos garotos.

As consequências socioeconômicas do fechamento das escolas

Infelizmente, os problemas sociais também não ficam para trás. Pelo fato dos pais permanecerem em casa para cuidarem dos filhos, a renda familiar cai consideravelmente. Uma estimativa do Brookings Institution é de uma queda, no total, de 1% do PIB americano para 12 semanas de aulas paradas.

Uma pesquisa realizada em Taiwan, durante a epidemia do H1N1, fez análises quantitativas desse fenômeno. Nela, os pesquisadores descobriram que 27% dos pais deixam de trabalhar nessa situação. Por conta disso, a renda familiar pode cair em até 18%. Não é nada trivial.

Aliás, também temos o aprofundamento das desigualdades sociais na educação com o regime a distância (EAD). Isso porque muitas crianças não têm acesso às atividades por EAD; efeito esse maior em regiões mais vulneráveis.

Hoje, segundo uma pesquisa do Datafolha, 90% dos alunos sem EAD são do ensino fundamental e 65% são de escolas municipais. Ademais, as regiões mais vulneráveis têm 45% a menos de acesso às atividades à distância. Todos esses são fatores que podem acarretar no abandono escolar.

Como deve ser a reabertura das escolas

Tendo em mãos os dados que foram levantados pela comunidade científica, podemos traçar um plano para a reabrirmos as escolas. O baixo risco de contágio das crianças e as consequências desastrosas de mantê-las sem poder estudar provam que vale a pena voltarmos ao regime letivo presencial.

Como era de se esperar, em todos os países citados até aqui, a reabertura foi feita de maneira gradual e controlada. As principais medidas de controle podem ser divididas em quatro esferas:

  1. Agrupamentos: número de alunos por classe reduzido, escalonamento de horários e atividades em grupos fixos;
  2. Distanciamento: manutenção de um a dois metros de distância e realização de atividades em espaços abertos;
  3. Higienização: Lavagem constante das mãos e limpeza dos ambientes duas vezes ao dia;
  4. Triagem dos sintomas e isolamento dos sintomáticos.

No Reino Unido, por exemplo, as turmas foram reduzidas a 15 alunos e funcionam como “bolhas”. Os horários são escalonados e há aferição de temperatura à entrada. O governo até elaborou e disponibilizou um manual de conduta para que o retorno completo às aulas se dê com maior tranquilidade e segurança possíveis.

Por isso, minha posição é justamente essa: estabelecer os requisitos de saúde necessários, por meio da Secretaria de Saúde, e aqueles que cumprirem-nos, poderão retornar. Seguindo os exemplos de todo o mundo, podemos voltar com as escolas públicas e as particulares.

Não faz sentido nivelar o problema por baixo, prejudicando quem se preparou para reabrir. Esse é o caso de vários colégios privados, que já haviam estabelecido seus próprios protocolos, mas que estão impedidos de voltarem à sua atividade presencial.

A reabertura das escolas em São Paulo só deve acontecer em 2021

Dado tudo isso, a Prefeitura de São Paulo ainda está muito cética sobre reabrir as escolas ainda em 2020. Mesmo com as evidências favoráveis ao retorno, as escolas só devem voltar no ano que vem.

Um dos motivos principais, é claro, é que os prefeitos não querem tomar medidas impopulares em véspera de eleição. Uma pesquisa do Ibope registrou que 72% dos entrevistados concordam que as aulas voltem apenas quando uma vacina para o coronavírus estiver disponível. Além disso, sindicatos dos professores fazem pressão para que elas permaneçam paradas.

Não obstante, a população ainda apoia a volta de cinemas, academias, bares e restaurantes. Nesse momento, as políticas públicas estão sendo guiadas não pelos dados, mas pelos interesses políticos. Por isso, devemos defender o retorno gradual e protocolar às atividades escolares, sempre baseados na literatura científica.