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O Brasil e o Pisa

11 de maio de 2020 admin 1 Comment

Melhorar e avaliar a qualidade da educação pública é uma necessidade para que cuidemos melhor das próximas gerações. Porém, hoje, 7 de cada 10 alunos do ensino médio têm nível insuficiente em português e matemática, segundo dados do Ministério da Educação (MEC).

O debate entre formuladores de políticas públicas, no entanto, muitas vezes busca apenas aumentar os gastos para mudar esse cenário. Nesse sentido, melhorar a qualidade do ensino não é visto, necessariamente, como prioridade. Contudo, a educação não deve ser avaliada com base na quantidade de recursos gastos na área.

Afinal, o baixo desempenho educacional brasileiro não se deve pela falta de recursos. Atualmente, o gasto com educação corresponde a 6% do PIB. O valor é superior à da média da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 5,5%.

Assim, mesmo que mais recursos sejam direcionados para melhorar a educação brasileira, novos avanços na qualidade do ensino dependem muito mais de melhorias na gestão.

Avaliar se a educação está evoluindo ou não passa por adotar bons indicadores, métricas e metodologias. É por isso, então, que a prova do Pisa é tão importante para mudar a educação brasileira de patamar. 

O que é o Pisa? 

Realizado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, na sigla em inglês) tem o objetivo de avaliar o desempenho dos alunos ao redor do mundo.

A prova tem três disciplinas principais: leitura, matemática e ciências. A cada edição, uma delas recebe um foco maior. No geral, o teste inclui 37 países-membros da OCDE, os chamados “países ricos”, e um conjunto de 42 outros países que se voluntariam e pagam para participar do exame, como é o caso do Brasil no Pisa.

Em 2018, última edição da prova, o foco foi na leitura. A prova foi aplicada para cerca de 600 mil estudantes de 15 anos de 79 países ou regiões diferentes do mundo. 

Dessa forma, é possível comparar os níveis de aprendizagem de estudantes de países diferentes e entender o que os sistemas de ensino podem fazer para melhorar seu desempenho.

O desempenho do Brasil no Pisa

O Brasil presenciou um ligeiro aumento da nota média em 2018. Além disso, foi a primeira vez desde 2009 que o resultado das três áreas avaliadas cresceram simultaneamente. Contudo, os estudantes brasileiros seguem entre os últimos 10 colocados na prova de matemática, por exemplo. 

Ainda na prova de Matemática, a média dos países-membros da OCDE é de 489 pontos. A média dos demais países, incluindo o Brasil, é de 434 pontos. A média dos estudantes brasileiros, porém, é de 384 pontos. Em outras palavras, estamos 105 pontos abaixo da média dos países da OCDE. Em relação aos demais países, estamos 50 pontos abaixo da média.

Analisando somente a média das escolas públicas, a nota média cai para 367 pontos. Ainda assim, a média do ensino privado não é muito maior: 476 pontos em matemática, abaixo da OCDE. Vale ressaltar, porém, que esse grupo está ligeiramente acima da média nas outras disciplinas.

Os números também mostram que, entre 2015 e 2018, os alunos brasileiros conseguiram aumentar em seis pontos o desempenho em questões de leitura (de 407 para 413) e três pontos em ciências (de 401 para 404). No entanto, por conta de ser uma pequena melhora entre os anos, a organização não considera a evolução como estatisticamente relevante.

Histórico de desempenho do Brasil no Pisa nas últimas avaliações.

O Brasil no Pisa está longe dos países desenvolvidos

Apesar da melhora em 2018, o Brasil ainda ocupa o 59º lugar do ranking geral do Pisa, em um total de 79 países. Além disso, os principais dados revelam que há uma desigualdade profunda entre os conhecimentos básicos dos brasileiros em relação aos membros da OCDE. 

Na avaliação de proficiência mínima exigida para matemática, leitura e ciências, 43% dos alunos das escolas do Brasil tiveram pontuação abaixo da média dos países desenvolvidos, que ficou em 13%.

Em relação às questões de leitura, por exemplo, 50% dos estudantes de 15 anos atingiram o nível mínimo. Para o Pisa, o nível mínima representa o aluno que considera a capacidade dos alunos em identificar a ideia principal de um texto, encontrar informações com base em critérios explícitos e refletir sobre o objetivo do texto. A média da OCDE, no entanto, é de 77%.

Nas perguntas de matemática, somente 32% dos brasileiros na mesma faixa etária atingiram o nível básico. Na OCDE o índice chega a 76%. 

Por fim, nas questões de ciências, 45% dos alunos brasileiros atingiram o mínimo desejado sobre explicar corretamente um fenômeno científico, além de identificar se uma conclusão é válida com base em dados fornecidos. A média dos países desenvolvidos para esse tema é de 78%.

Segundo o próprio Pisa, os resultados do Brasil podem ser comparados, na área de leitura, com os da Bulgária, Jordânia, Malásia e Colômbia. Nas questões de matemática com Argentina e Indonésia, e na prova de ciências, com Peru, Argentina e Bósnia e Herzegovina.

Como mudar esse cenário 

Em gestão de políticas públicas, boas práticas podem e devem ser copiadas. No entanto, é importante que sejam adaptadas para dentro de sua realidade. Um exemplo possível seria adaptar o caso educacional das escolas de base do Ceará.

Atrelando a distribuição dos recursos obtidos via ICMS aos resultados educacionais em avaliações externas, a proposta levou a um aumento considerável em português e em matemática por parte dos alunos.

Os resultados aparecerem no Ideb, principal indicador que mede a qualidade do ensino no Brasil. Além de superar a meta de 2017 em 1,4 ponto, a rede pública do Ceará subiu de 2,8 em 2005, para 6,1, em 2017. O ritmo de crescimento, portanto, é quase duas vezes superior à média nacional. Vale ressaltar que o índice varia de 0 a 10 pontos. 

Além disso, apenas um município cearense não alcançou a meta projetada para os anos iniciais do ensino fundamental. Na região Nordeste, onde há 153 municípios com Ideb igual ou superior a 6,0, 93 estão no Ceará.