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Criatividade e Senso Crítico: o que falta no ensino brasileiro

19 de junho de 2020 admin 0 Comments

Não é novidade que boa parte dos métodos de ensino nas escolas brasileiras – principalmente as públicas – estão ultrapassados. No geral, a grade curricular define matérias carentes de criatividade e estímulo ao senso crítico. Por fim, os estudantes sequer compreendem o porquê estão aprendendo sobre determinado assunto. 

Atualmente, o mercado de trabalho demanda certas habilidades que não são ensinadas. Entre estas estão: capacidade de resolução de problemas, comportamento empreendedor, entre outras.

Entretanto, é dever das escolas estimular o pensamento crítico de seus alunos. Inclusive, para que estes possam avaliar as situações a que são expostos a partir de diferentes pontos de vista.

Bem como, ensiná-los a entender os limites de sua perspectiva e a transformar suas ideias em soluções inovadoras. Ou seja: questionar, imaginar, fazer e refletir, e assim, pensar “fora da caixa”. Em contrapartida, o descompasso entre o conteúdo ensinado e os problemas reais provoca o desinteresse dos alunos pelo aprendizado.

Mas, e se estas soft skills, como a criatividade e o senso crítico, fossem estimuladas de forma experimental em sala de aula? É isso que um extenso estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) avaliou em 11 países, com a participação de milhares de professores, estudantes e comunidade escolar.

Penso, logo existo!

O trabalho também contou com a participação de entidades ligadas à educação dentre as nações avaliadas. No Brasil, o projeto foi tocado pelo Instituto Ayrton Senna (IAS) e as intervenções foram realizadas em escolas públicas e privadas da cidade de Chapecó, em Santa Catarina. O documento com todas as informações da pesquisa estão aqui.

De forma resumida, a metodologia empregada nas escolas – em alguns anos dos ensinos fundamental e médio – incluía conteúdos e discussões que incentivassem os alunos a ter maior senso crítico.

Assim como, que os encorajassem a serem criativos na resolução de um problema ou questão levantada pelo professor, que, aqui, tinha o papel de tutor. As rubricas da OCDE para a aplicação em sala de aula estão resumidas no quadro abaixo:

Como todo bom estudo estatístico, foi necessária a divisão dos alunos participantes em dois grupos: aquele que receberia as intervenções vinculadas à metodologia do estudo e um grupo controle. Posteriormente, os resultados foram comparados.

Além das intervenções, foram estabelecidos grupos para troca de experiências entre professores e para sensibilização da comunidade escolar para a importância do experimento.

Resultados da inserção da criatividade e do senso crítico nos estudos

De forma geral, foram reportadas melhorias significativas no aprendizado de matérias como matemática e ciências. Outros benefícios foram: o maior engajamento dos pais e a maior colaboração entre professores. No caso do Brasil, foram observados predominantemente:

  • Maior interesse em ciências e matemática.
  • Maior utilização das abordagens de aprendizagem que estimulam a criatividade e o pensamento crítico.
  • Melhor compreensão da criatividade.
  • Maior aproveitamento entre os alunos socioeconomicamente privilegiados. 

Em suma, houve pequenas variações do tamanho da amostra utilizada e do tempo de intervenção em sala de aula entre os países. Mas, no geral, todos demonstraram resultados positivos em relação à aprendizagem.

Uma possibilidade ou utopia?

Por um lado, muitos podem dizer que estamos longe de conseguir implementar metodologias que estimulem a análise crítica e a criatividade dos alunos. Afinal, faltam condições mínimas como infraestrutura, pessoas engajadas, alunos motivados, entre outras carências, nas escolas brasileiras.

Contudo, esse argumento não dá a solução, apenas aponta o problema. Na prática, precisamos pensar em uma adaptação da forma de ensinar concomitante ao enfrentamento do problema crônico da educação pública.

Nesse sentido, não faz sentido ficarmos parados à espera de uma resolução ao problema para depois atacar o outro, pois, dessa forma, o gap de aprendizado entre a escola privada e a pública ficará cada vez maior.

Há boas ideias para implementar essas metodologias que envolvem criatividade e senso crítico nas escolas. Após a divulgação do estudo, o IAS publicou um guia, cujo objetivo é contribuir com referências e inspirações, que possibilitem pensar caminhos de estímulo ao desenvolvimento dessas habilidades na Educação Básica.

No fim, fica cada vez mais claro que a educação não pode esperar. O mundo mudou, portanto, o ensino também precisa se reinventar!